Arquivo para a Italiana categoria
Redenção da Beringela
Postado em Afetiva, Cinema, Italiana em Janeiro 1, 2008 por garfo&facaComecei o ano pela cozinha. Não a minha, mas uma colombiana devidamente reproduzida na tela grande. Fui assistir “Amor em tempos do cólera”, que é mais um dos meus gaps culturais vergonhosos. Não li o livro. Não faço idéia se a Fermina também odiava beringela nos textos do García Marquez.

O que importa para gente não é tanto o tempo que o Florentino ficou esperando pela Fermina, mas a principal condição que ela impôs ao ser pedida em casamento. O futuro marido não podia obrigá-la a comer beringela.
Até os mais céticos acabam se rendendo a ela. Eu também já odiei qualquer coisa que tivesse beringela no meio. Hoje sou praticamente uma garota-beringela.
Para dar uma chance para a beringela:
:: Compota de beringela ::
(é parecido com antepasto, mas é uma receita lá de casa)
Pegue duas beringelas grandes, descasque e corte em tiras finas. Jogue as tirinhas em água fervente e tire rapidamente. Coisa de uns 30 segundos porque a beringela não pode cozinhar. Deixe esfriar e coloque a beringela num espremedor de batatas para tirar a água. Aí é só colocar numa compota com azeite, óregano, alho sem economizar. Quanto mais tempo passar no vidro, melhor.
Mais molho, menos massa
Postado em Italiana em Outubro 18, 2007 por garfo&facaAchei uma dica que pode fazer a diferença na macarronada nossa de cada dia. Que tal começar pelo molho e colocar uma bela quantidade de massa por cima? A mistura fica próxima do que a gente conhece como minestrone, que é um tipo de sopa italiana.
Mais idéias na matéria do New York Times.
![]()
Pizza de Prateleira
Postado em Italiana, Rápida em Setembro 1, 2007 por garfo&facaSupermercado é programa chato. Demorei muito para esquecer essa máxima que por anos guiou a minha vida. Hoje entro feliz – e até pelos fundos, no Zona Sul, que tem uma pizzaria bem cuidada em cada vez mais filiais e lotação esgotada nos fins de semana.
A massa é fininha, o queijo delicioso e os recheios… bom, tem recheio para todos os gostos. Surpresa mesmo foi a tal pizza de cogumelos. Pensei em pedir logo a de aliche minha preferida, mas fui coagida a experimentar a de cogumelos também.

Arrependimento? Nenhum. A pizza de shitake, champignon, shimeji e toda a sorte de fungos comestíveis já figura na minha lista de 10 mais. Levinha do tipo que dá vontade de repetir.
A pizza e uma taça de vinho chileno saem por mais ou menos R$30 reais. E ainda tem desconto para quem tem o cartão de fidelidade do supermercado. E os ingredientes para aquela próxima receita ficam ali do lado, é só esticar as mãos.
Mão na Mamma
Postado em Afetiva, Italiana em Agosto 18, 2007 por garfo&facaQue me desculpem o garfo e a faca. Bom mesmo é comer com a mão. Torçam o nariz aqueles que não passam sem um talher para peixe, quem prefere colher de sobremesa ou quem luta com hashis. Nada, mas nada mesmo, é melhor do que comer qualquer coisa com a mão.
Defendo o uso comedido dos talheres e a socialização da comida. Poderia até criar um movimento, lançar um manifesto, mas isso é coisa de gente que não se alimenta direito. E são infinitas as possibilidades para quem, como eu, de vez em quando, se dá ao luxo de pendurar garfos, facas e colheres.
Aprendi desde cedo a gostar de coisas simples na cozinha. Culpa disso eram as comidas da minha avó italiana á beira do fogão à lenha. Do prato direto para as mãos pequenas dos netos. A ordem que os famintos comensais seguiam era simples: nas massas, as facas estão proibidas. O garfo e a colher não. É só uma ajudinha para o molho envolver bem aquela mistura de farinha e ovos.
A massa era, para todo mundo, a grande estrela dos almoços de verão em Santa Catarina. Menos para mim. Trocava um belo prato de macarronada da nonna por um pedaço de tomate maduro bem temperado com azeite, sal, manjericão e alho. A colher era um pão sovado quentinho, que minha avó tirava do forno enquanto meu avô fazia a mistura com o que eles chamam de “pomodoro”, o fruto de ouro.
Depois que a gente cresce, cria o péssimo hábito de tentar encontrar, de todo o jeito, o mesmo gosto de coisas boas em que tropeçou ao longo da vida. No Rio de Janeiro, longe de Santa Catarina e longe, principalmente, da Itália, ficava difícil achar tomates italianos da horta, pão italiano e todas as coisas italianas que me lembravam do gosto bom de férias.
Eu estava atrás das bruschettas. E pão com tomate, na cidade grande, fica metido à besta. Vai pro forno para gratinar e é regado com azeite aromatizado com ervas de sei-lá-onde. Definitivamente, nem de longe traziam para perto de mim a simplicidade da minha avó.
Por isso, há uns oito anos eu tropecei de novo no pão com tomate que eu gostava. Amigos me falaram de uma cantina, em Laranjeiras, quase no Cosme Velho. “Mamma Rosa” era o nome. “É o melhor restaurante com o pior atendimento”, “Não, é o pior restaurante e o melhor atendimento”. “Vai lá, não importa. O Cosme Velho só tem um restaurante mesmo”. Foi assim que eu resolvi tentar. Pedi, claro, a bruschetta antes de tudo. E a minha surpresa foi não ter surpresas. Pão, tomate, manjericão, azeite e alho direto da minha memória para a mesa com as indefectíveis toalhas quadriculadas.
É fácil me encontrar lá. Cercada de boas lembranças e de boas companhias. E vendo o sorriso de quem acabou de tropeçar no “ouro” da nonna.
Para comer com a mão, se sujar e lembrar de coisas boas sempre:
[[Bruschetta]]
4 tomates italianos maduros
Azeite de boa qualidade a gosto
Sal
Pimenta do reino (meus avós não me deixavam saber o quanto era bom)
Manjericão
Misture tudo em um prato fundo e coma com pão italiano.







