Cosinhando pelo Rádio

É, em 1946 as pessoas cosinhavam assim, com “s” mesmo.  Com o ouvido grudado no rádio, claro. A tecnologia tomava o lugar do velho livro de receitas nas casas mais modernas. Dona-de-casa antenada preparava o almoço com sugestões transmitidas entre um programa e outro.

Meu pai passaria horas e horas contando histórias de 1946, ano em que ele resolveu definitivamente trocar uma vida sem paradas pelo Brasil pela estabilidade no Rio de Janeiro. Nesse ano – talvez ele nem se lembre – ganhou um livro de receitas. O presente foi de um tio, que escrevia história para crianças.

Demorou 61 anos para que o “Cosinhando pelo Radio” aparecesse aqui em casa. E são grandes as chances de nem a autora do livro ter imaginado vida tão longa para essa obra.  Sagramor de Scuvero era popular no rádio nos anos 30. Foi casada com o autor de jingles Miguel Gustavo e, pelo o que se conta, meteu a colher até no famoso hino “Pra frente Brasil”.

Palpite certeiro mesmo ela dava quando o assunto era cozinha. E me fisgou, antes do estômago, o coração:

“Da sua cozinha depende noventa por cento da sua felicidade. As suas mão cuidadas de moça bonita, presentes em todos os recantos de sua casa, devem pousar, também, na sua cozinha. Há nela muito de arte e mesmo de encantamento”.

Noventa por cento é um certo exagero. O livro continua com receitas simples, sem rodeios. O trivial ao lado do elaborado. Dicas para donas-de-casa de primeira viagem e para aquelas que já estavam na estrada há tempos.

Achei uma receita de doce tão simples quanto  gostosa. Em tempos de cozinhando pela internet, uma sobremesa com cara de casa de vó cai muito bem.

[[Surpresa de Banana]]

Arrume num prato que possa ir ao forno uma camada de mingau de maizena. Sobre esse creme, banana (da qualidade que preferir) cortada em fatias. Pulverizar açúcar e canela. Cobrir com clara batida em neve com açúcar e raspas de casca de limão. Retirar quando a clara estiver em ponto de suspiro.

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