Feijões da Liberdade 2 – assopra!

Acho que já deu pra notar que esse blog sofre de múltiplas personalidades. Não se preocupem, são só duas… até agora. Quem já foi garfado pelo “G&F” repara que temos posts de receita, alguns de curiosidades e um sem número de escatológicos. Somos garfo e faca no nome e nas peculiaridades. Distintos nos gostos e sabores. Afiados em unanimidade.

Culinária também se faz com democracia, meus caros. O sal aqui é à gosto.

Isso tudo foi pra explicar que quem “contrabandeou” os guiozas e os doces de feijão foi uma amiga que temos em comum. Tudo a meu pedido. Reconheço que não podia deixar a amiga Faca sem experimentar tais sutilezas da cozinha oriental. Ela, como boa gastroaventureira, aprovou, lambeu os beiços e já colocou tudo no post aí abaixo. Mas deixa eu contar como foi a minha primeira vez.

O ano do porco no calendário chinês já rolava há uma semana quando passei pelo simpático bairro de portais vermelhos. Teve a tradicional dança do dragão, fogos de artifício e apresentação de danças da comunidade.

Achou que eu tava misturando as bolas quando falei de ano novo chinês em bairro japonês? Pois é, há muito a Liberdade foi invadida por chineses e coreanos. Lá, na maior comunidade nipônica fora da terra natal, o Japão também é uma ilha.

O melhor é que nessas comemorações sempre rola muita comida e, ao contrário da cozinha japonesa, a chinesa é um mar de frituras e molhos apimentados!

O dia começou com meia dúzia de gyozas . O pequeno e delicado pastel quase transparente é cozido no vapor e aceita em seu interior quase todo tipo de recheio. O que comi foi de carne de porco apimentada. Desmancha na boca e não pede acompanhamento. Basta um pouco de shoyo ou um fio de teriaky. Pena que não existe um decente aqui no Rio – nem me falem de Via China ou China in Box!!

A coroação do dia foi na tradicionalíssima barraca do Jambo (foto acima). A fila não parecia ter fim. No meio de tanta coisa salgada perguntei qual era a tradicional sobremesa: “doce de feijon, craro!”, respondeu com ar invocado uma pequena senhora de olhos puxados e grossos óculos de tartaruga. Passado o estranhamento da primeira mordida pude ver que a massa, quase igual a de uma panqueca, leva um recheio bem grosso de feijão azuki e açúcar.

Se você deixar de lado a idéia cultural de que feijão só é gostoso acompanhado de arroz ou em feijoada, vai ver que é bom, muito bom. Mas tem uma pegadinha que acho justa dividir com vocês. Como o preparo exige óleo bem quente, quem se diverte são os barraqueiros vendo os desavisados queimando a língua de cinco em cinco minutos. A gula impede a gente de avisar ao próximo da fila. Tudo bem, na próxima vez a gente assopra antes da primeira mordida. ;)

clica aqui no feijon pra pegar a receita do doce.

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