Raoul´s – O meu segundo restaurante dos sonhos

Essa historinha deve ter uns dois que não me sai da cabeça. Semprei pensei em fazer um post à altura, mas nunca tive paciência pra puxar pela memória.

Faca disse que nunca teve interesse em conhecer Nova York. Mas, desde que nos encontramos, ela diz que transformo histórias medíocres em lembranças inesquecíveis. Essa foi uma das minhas memórias que fizeram ela ter vontade de conhecer a cidade… 

O pequeno restaurante com cara de bistrô francês faz parte do imaginário de quem mora ou visita o SoHo. Atmosfera escura, balcão de madeira sólida e um sem-número de pinturas causam uma sensação aconchegante pra quem entra. Só não pude esconder a cara de decepção com o tamanho do lugar e acabei perguntando ao amigo que me acompanhava ” – Como um restaurante famoso por receber uma clientela de modelos, artistas plásticos e escritores só tem bar e banquetas?”.

Fiquei sem resposta. Foi só virar para o lado para ver que ele havia sumido. Olhei, esperei, sentei no balcão. Nada. Saquei o celular e furibundo disparei:  “- Pô. Cadê você, mermão?”. Depois da risada, ele disse: “- Tô vendo você daqui de onde estou. Entra na cozinha e vem andando até os fundos”. 

Pensei quinze vezes antes de tomar a decisão de passar entre panelas escaldantes e cozinheiros apressados. Fui andando pé ante pé e acabei por sair dentro de um tremendo falatório enfumaçado iluminado por pequenos abajures amarelos. Era o salão de jantar do Raoul´s.

Sentamos, pedimos um vinho e o cardápio. O restaurante dos irmãos alsacianos ficou famoso por ter pratos intinerantes que acompanham as mais novas tendências da mesa. O menu muda quase toda semana.

Comi como gente grande naquela noite. A entrada, se bem me lembro, tinha pequenos pedaços de vitela num molho de damascos quentes. Era tão pequena que nem deu pra encher o buraco do dente – maldita cozinha francesa!.

Bom mesmo foi o prato principal: bacalhau. Se engana quem acha que saboreei o peixão salgado da tradicional noite de Natal. O de lá, era servido numa posta grossa, branquinha e, acreditem, quase adocicado. Sou de família portuguesa e nunca tinha sequer sonhado em experimentar algo assim.

A sobremesa nem lembro. Acho que era uma seleção de frutas em calda. Depois de três garrafas emborcadas a memória não ajuda muito.  😉

Antes do expresso, a mulher do amigo pediu licença e foi ao banheiro no segundo andar. Voltou três minutos depois andando em passinhos apertados. Não conseguiu cumprir o objetivo. Dizia que havia uma senhorinha sentada ao fim da escada interrompendo a passagem.

O Raoul´s reserva uma surpresa para os boêmios que o freqüentam. Lá em cima, numa desgastada poltrona de couro e elegantemente enrolada em um chale verde, estava uma cartomante. O serviço sempre foi tradicão desde os anos 70. É oferecido aos clientes que dispõem de paciência e uma nota de 5 dólares para ouvir sobre o passado e o futuro. Tudo embalado por uma voz rouca e com sotaque acentuado do leste europeu.  Enfim, um lugar pra ficar na memória.  Se tiverem curiosidade:  180 Prince St., New York, NY

ps: no título do post eu disse que o Raoul´s era o meu segundo preferido. Uma dica… o primeiro é  brasileiro e fica logo ali em Ouro Preto. Aguardem.

E você, tem um restaurante pra “chamar de seu”? Manda pra gente uma resenha. Vale qualquer especialidade e de qualquer lugar.

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